Esses dias estava refletindo em algumas frases que passei a vida inteira ouvindo, frases que classifico como clichês. Eis algumas: “não era pra ser”, “se não aconteceu foi porque Deus não quis” “Se for para vocês ficarem juntos vocês ficarão”.
Não consigo aceitar que a vida seja assim, pois se já esta tudo traçado, qual a importância de eu correr atrás dos meus objetivos? Então eu não preciso mais me esforçar para ter uma ótima qualificação profissional, é só esperar que o emprego dos meus sonhos vai bater na minha porta? Não vou dizer que isso seria maravilhoso, pois embora a vida seja difícil, o gosto da conquista só é verdadeiro quando se luta, por isso prefiro levar algumas quedas, levantar com dignidade e se for preciso recomeçar.
Tenho a impressão de que esses clichês são aplicáveis àquelas pessoas acomodadas, que tem medo de encarar a vida, de fazer escolhas, lutar pelos objetivos. Pessoas que atribuem a Deus, ao cosmos, à natureza o que deixaram de fazer por covardia, por medo, medo de serem elas mesmas, medo de serem confrontadas com suas limitações, medo da vida.
A nossa vida é composta das nossas escolhas, logo as conseqüências serão resultados dessas escolhas, e quando as conseqüências são diferentes do que esperávamos é exatamente porque escolhemos errado.
Como diz Augusto Cury, “O destino não é inevitável, mas uma questão de escolha”.
Portanto, creio que somos construtores de nossa própria historia, e se ela não está sendo bem escrita, não é porque Deus não quis, porque não era pra ser, é porque estamos sendo covardes e irresponsáveis com o maior presente que Deus nos deu, a vida. Junto com a vida Ele também nos presenteou com o livre arbítrio, exatamente para que fizéssemos boas escolhas e vivêssemos bem, se algo está diferente disso, não posso culpá-lo.
É evidente que não podemos ignorar que embora façamos escolhas sábias ainda assim existe a possibilidade de dar errado, é por isso que precisamos ficar atentos ao contexto histórico, social, político e econômico que estamos inseridos para mais uma vez não atribuirmos à Deus, ao acaso, ao destino o que na verdade é conseqüência de todo esse conjunto de fatores.
Mas não sou cética, muito pelo contrario creio no controle de Deus sobre as nossas vidas, mas creio no agir de Deus de uma forma muito espiritual e que excede o nosso entendimento.
Finalizo dizendo que creio em trabalho, em esforço, em escolhas, muito mais do que em milagres, pois a essência do milagre é a raridade, e a nossa vida não pode esperar por fenômenos raros, ela deve ser vivida a cada segundo, com intensidade, com propósitos, com amor e quando não houver possibilidades o milagre acontecerá.